«Eles são mais nossos do que vossos»

Ser mãe a tempo inteiro pode ser cansativo, principalmente nos primeiros meses em que tudo é novo, as rotinas são muito rígidas, e mal se dorme. Mas certamente é também mais recompensador. Prolonguei a licença de maternidade até ao máximo (5 meses seguidos de férias) e ponderei ficar com a Alice em casa até ao fim do seu primeiro ano de vida. Era o que desejava fazer. Mas confesso que tive medo. Medo de não conseguir voltar a trabalhar.

Manhãs caóticas

Ser uma mãe que trabalha não é fácil, principalmente se o local de trabalho for a 30 km de distância do lugar onde vivemos. As manhãs podem ser particularmente caóticas: acordar antes do sol nascer, tomar banho, preparar as lancheiras para o dia, passear o cão, acordar a bebé, vestir a bebé, alimentar a bebé, limpar-lhe o nariz porque se não vai passar o dia entupida porque teve duas bronquiolites seguidas no espaço de dois meses e ainda não recuperou, deixar tudo pronto antes de sair,  correr para apanhar o autocarro e chegar a horas ao trabalho. E quando voltamos para casa ao fim do dia a loucura recomeça: preparar o banho da bebé, dar banho á bebé, limpar o nariz da pequena novamente, fazer aerossóis,  dar a papinha, preparar o nosso jantar, arrumar a cozinha, esterilizar biberões, e no fim do dia sentamo-nos no sofá, adormecemos com ela ao colo até nos arrastarmos para a cama e só pensamos em dormir até ao dia seguinte (o que raramente acontece). Para além dos cuidados do bebé e toda a organização das tarefas domésticas (que entretanto aumentaram consideravelmente) ainda temos que gerir tudo isso com os horários de trabalho, com os objectivos a cumprir e com a falta de sensibilidade daqueles que não são pais e não percebem o esforço que é preciso fazer para conciliar tudo. E não compreendem quando chegamos atrasadas. Ou quando faltamos porque a nossa bebé está doente e precisa dos nossos cuidados. Porque, para além de não termos com quem a deixar, somos a pessoa de quem ela mais precisa naquele momento.

Momentos que não têm preço

No outro dia quando foram levar a Alice a casa depois da creche, em conversa com a funcionária do infantário, ela dizia-me: “sabe, eles são mais nossos do que vossos porque é connosco que passam a maior parte do dia”. Aquilo deixou-me triste, mas não deixa de ser verdade. É triste pensar que a sociedade não dá tempo aos pais para viverem estes momentos das suas vidas em pleno. Porque estamos a perder o crescimento deles e devíamos ser os primeiros a acompanhá-lo. Por isso, as mães que trabalham valorizam ainda mais todo o tempo que podem passar com os seus bebés e todos esses momentos. O sorriso que nos dão quando acordam de manhã, o sentir saudades perto da hora da saída e o abraço da chegada, a hora do banho que é sempre uma alegria. E isso não há ninguém que nos tire!

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