Pai que é pai esteriliza biberões ás 3 da manhã!

Não foi fácil partilhar a Alice com o mundo quando ela nasceu. Estava habituada a tê-la só para mim. Só eu conseguia alimentá-la, cuidar dela, protegê-la, senti-la dentro de mim. E de repente, estava cá fora. Era um ser separado de mim. E agora, o que faço contigo, bebé? Quando ela nasceu, não a senti logo como minha. Foi uma sensação estranha. Talvez porque efectivamente os filhos nunca são nossos. Talvez porque ganhamos a consciência de que aquela criatura não é nossa e que nós apenas temos o privilégio de cuidar dela até ela poder cuidar de si própria.

Baby Blues

Os primeiros 15 dias foram difíceis. Foram dias de emoções contraditórias. Se por um lado estava feliz, por outro sentia-me angustiada. Talvez seja a esse sentimento que  os especialistas chamam de “baby blues”. Finalmente tinha o meu bebé comigo, mas não queria que mais ninguém cuidasse dela. Foram dias difíceis potenciados pelo facto de não poder dar de mamar – a Alice não fez uma boa pega e tinha que tirar o leite à bomba até poder voltar a dar de mamar outra vez. E foi especialmente duro para o pai. O L. sempre foi muito presente. Queria participar nas tarefas: adormecê-la, dar-lhe banho, empurrar o carrinho de bebé sempre que saíamos e ficar com ela ao colo durante as consultas. Sentia que ele estava a pôr em causa o meu papel de mãe. Queria ser eu a fazer tudo. Mas na verdade, ele só queria que eu descansasse.

O pai também é um cuidador

Percebi que estava a ser injusta e a discriminá-lo como muitas vezes a sociedade faz com os homens que querem assumir o seu papel de pai e são olhados de lado. O pai ainda é visto hoje como o homem que trabalha e não como um cuidador. E, por isso, os tempos de licença do pai ainda são muito reduzidos. As mentalidades estão a mudar, é certo. Até porque os pais estão cada vez mais participativos nas rotinas e nos cuidados do bebé. Nunca aconteceu eu acordar para dar de mamar e o Luís ficar a ressonar ao meu lado, como ainda oiço algumas mães contarem. Ele acordava o mesmo número de vezes que eu, dava-me a mão, deitado ao meu lado, e certificava-se de que eu estava confortável.  E enquanto eu dava de mamar à Alice a meio da noite, ele ia para a cozinha ás 3 da manhã esterilizar biberões e lavar a loiça que tinha ficado do jantar! Quando a Alice acabava de mamar, era ele que a punha a arrotar na maior parte das vezes. Ou naquelas noites em que eu estava muito cansada e ela não queria dormir, era ele que pegava nela ao colo e a embalava pela casa até ela adormecer.

Não imagino como seria cuidar da Alice sem ele ao meu lado. Mas tenho a certeza que seria tudo muito mais difícil.

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